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#55 - O VELHO DRAGÃO - PARTE 2: THUR (TIRANO)

  • Foto do escritor: viniciuscagnotto
    viniciuscagnotto
  • 2 de fev.
  • 2 min de leitura

CHIFRES LASCADOS



Abandonemos a poética doce de belas manobras triunfais nos céus para abordar com dureza — reprimida — a salvaguardada ética dos racionalistas. Demando aqui acompanhamento próximo deste relato de comportamento, pois você, indiferente que lê, entende-se ao meu lado em algum imaginário comparativo igualitário. Ora, o mantenho assim por proveito, ciente de que o domínio das nuvens nunca lhe caberá.


Pois veja, o lírico já me domina novamente. Afasta. O momento é de rigidez!

Afinal, aquele que emana vontade sobre o dever não há de ser subjugado moralmente. Ou me equivoco?


Agimos porque queremos ou porque devemos?


Diriam, aos montes, a conduta racional universalista como prioritária e preferencial para o convívio, para as boas relações, para a interação social que enaltece o bem-estar global. Nunca agir por dependência das emoções. Nunca agir pelas perturbações dos afetos. Age apenas em consequência da coerência, que é fim de si mesma quando em cadeia lógica de decisões “sãs”.


Sim, diriam exatamente isso todos aqueles que, pequenos demais para conceber a mim e o que represento, se preocupam com cada próximo passo numa cadeia infinita de vigilância e análise comportamental. Tal preocupação já não seria um incômodo das sensações?


Falta aos seguidores do “Penso, Logo Existo” o mais óbvio: Pensar.

Idealizam uma prisão mental tão limitada às conjecturas da razão que ignoram aquilo que é o ingrediente principal do poder. Entenda que poder nada tem a ver com coerência de conduta e que o auge da tirania originou-se de um embrião pouco pensante: o simples querer passional.


Apenas agem dentro de jurisdições éticas aqueles que não podem pisar fora dela.

Afinal, onde há lei não há liberdade.


Aquele que segue não dispersa aspereza suficiente para impor sua vontade.

Não esqueça que tal poder raramente se apresenta como brutalidade e que aquele que governa raramente se vê como opressor. Há, na realidade, um amálgama de convicção racionalizada com anseios particulares. Esse formato, do qual me vejo pertencente, jamais poderia ser adequado à uma universalização comportamental em prol de uma moral sem hierarquia. Sou a própria grandeza em forma de ser e o convívio que me atravessa é subordinado ao meu querer.


Sempre será assim. A ideia ingênua de um imperativo que posicione todos a favor de todos nada mais é que apenas outro meio de adestramento coletivo do qual me beneficio. Veja, há algo profundamente confortável em obedecer a uma regra. Ela afasta o julgamento nos olhares de terceiros, também em crise de consciência a cada segundo.


O mais cômico da posição que me encontro é que não me interesso em julgamento algum para com as atitudes alheias. Eu vivo além das regras e pouco me importa o comportamento de seres inferiores.


Mas, ainda assim, todos se curvam aos meus olhares e ao peso imaginário que projetam sobre si mesmos quando os observo.


Deixa Eu Pensar | O Velho Dragão - Parte 2: THUR (Tirano)

 
 
 

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