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#62 - A FAZER

  • Foto do escritor: viniciuscagnotto
    viniciuscagnotto
  • há 5 dias
  • 1 min de leitura

Tão rápido vem ao mundo e já exala senioridade.

Nasce um novo império e em seu berço repousa um tormento, ou um parente ou um conhecido. De toda forma, familiar.


Um sufoco irracional do mau senso de prioridade desvanece qualquer temperança.

Tal importância, tão desimportante quanto a própria avaliação de importancialidade, vê-se graduada com méritos. Ironicamente.


A dívida é literal. Um peso há de ser pago.

Dada a imanência do câmbio, é ágil esperançar a naturalidade de uma troca equivalente.

E, ao tentar evitar grandes perdas, meticulosamente se vale da excelência, ou de seu nome ou de sua ideia.

Enfim, da necessidade de valoração.


A ingenuidade, porém, camufla os juros lastreados em tamanha angústia.

Ora, e por que há de querer romper com tal cordão umbilical?


Pois erguerá taças em favor de uma qualidade transcendente, que escoa do segundo andar de um beliche.

Pois atestará alta competência mirando o reflexo de seu próprio espelho.

Pois justificará detalhe a detalhe num labirinto imagético sem bifurcações.


Aceita tais trocos como um fetiche.

Apaziguantes momentâneos, causadores de novas fecundações. Inúmeras.

Um ciclo de vidas inconscientes que alienam novos fazeres.

Que continuam...


Que continuam sem entender que a medida de uma borboleta de nada tem a ver com suas asas.

Sua transvaloração encontra-se na crisálida.

Ou na lagarta.

Ou no ovo.

Deixa Eu Pensar | #62 - A Fazer

 
 
 

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