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#54 - O CACHORRO

  • Foto do escritor: viniciuscagnotto
    viniciuscagnotto
  • há 3 dias
  • 1 min de leitura

Não há imperativo categórico que universalize

A bússola moral de uma sociedade pautada pela insensibilidade.

Quando a educação, diga-se, a ética do bem estar mútuo é inequivalente

Às posições individuais, tal fórmula se dá incapaz de humanidade.


Humanidade, como virtude, é um paradoxo, admito.

Entretanto, se a recompensa pela virtude é a própria virtude,

Qual recompensa recompensamos a não virtude

Numa dinâmica de poder do privilégio?


“Ora, não recompensamos!” você dispararia contra mim,

Apesar de equivocado, se demorando a perceber

Que a atrocidade já é, também, uma virtude paradoxal.


“Um pensamento absurdo”, eu sei.

Ainda assim, estimulada.

Ainda assim, “educada”.

Ainda assim, recompensada.


A hierarquização dos afetos se torna espelho do

Racional da hierarquia material,

Atravessando atitudes como um bisturi frio,

Que dissipa o único calor que poderia impedir

Um reflexo distorcido.


À galope, um colapso sociopata generalizado

Vem se tornando espetáculo.

Encantados pelas novas virtudes, indivíduos são

Impulsionados ininterruptamente

Ao próximo degrau que os afasta alguns

Centímetros a mais da ternura.


Não há Imperativo categórico que possa

Lidar com tamanho constraste de poder

E domínio em relação às emoções alheias.


A indiferença, quando numa escala de valor abstrata,

Nada mais é que justificativa para mais indiferença,

Misteriosamente valorizada.


“Não pareces bem” perguntei ao meu novo amigo,

inerte no chão.

“Estou cansado” me confessou, entre duros suspiros.

“Qual demônio lhe teria causado tal infortúnio?”

“Com certeza não um cachorro” respondeu

Ao fechar os olhos.

Deixa Eu Pensar | #54 - O Cachorro

 
 
 

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