#53 - QUIETUDE
- viniciuscagnotto
- há 4 dias
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Apenas silêncio, opressor, e uma voz
Não produzida por vibrações no ar
Mas que ainda conversa como se ao lado.
O que ela diz?
Quantas elas são? A voz. As vozes.
Nenhuma?
Alguma há. Ouçamos bem.
Reverbera respingos e ruídos de uma linha paralela conhecida,
Apesar de agora tão distante.
É uma vítima, tal voz,
Uma cacofonia manipulada,
Desamparada.
Lutando para se fazer presente.
Lutando para quê?
Que luta há nas águas serenas de um lago inóspito?
Que luta há quando o vento se recolhe e as folhas são paz?
Que luta há quando o que há é o inaudível?
Quão ameaçadora é a falta de estímulos?
Corpos hostis à permanência,
Ludibriados,
Declaram guerras santas ao meio inoportuno dos afazeres
Como um descaso. Um atraso.
O acolhimento contrapartido
De tal fúria sensorial pode apenas prometer o mesmo de sempre.
Nada.
E nada mais.
Olhar em volta e tudo é estático, imóvel,
Fixo no tempo como um recuo do próprio ato de viver,
O qual é órfão das pausas.
Um sentimento brota inevitável
Quando então um pássaro quebra tal placidez ao cantar no ninho.
Qual sentimento?
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