#47 - TRINTA E SEIS
- viniciuscagnotto
- 14 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O início é um mesmo gesto em sincronia ritmada.
Bem marcada.
Logo se tornam dois intrusos num lago juvenil.
Nada sutil.
Ora, apenas três velas não fariam jus à melodia.
Uma bela nostalgia.
E quatro paredes falham diante da imensidão de se perceber pequeno.
Ao ego, um veneno.
Com cinco sentidos atentos, a trilha segue mata adentro.
Retorno ao próprio centro.
Perfume suspenso nos seis movimentos da dança portenha.
Elegância que a tenha.
Entendimento de Deus que não é sete, nem pede revelação.
O aquele ou o outro, pois não.
Rejuvenescimento líquido em oito segundos de aventura.
Mesmo com medo da altura.
Mais de nove trombadas no escuro absoluto.
Simulação de um real bruto.
Dez especiarias ainda eram pouco para a alquimia elaborada.
Etílica, bem calculada.
O paladar se afia depois de onze sabores.
Vendas puxaram novas cores.
A mente se espelha no que já não é mais.
E isso foi há doze enganos atrás.
A toalha se estende: comida para treze dias de festa.
O descanso não protesta.
Nem quatorze apoios na parede sustentam o esforço.
E o braço pede reforço.
Você pensa ao menos quinze vezes que vai virar.
No fim, adrenalina a transbordar.
Dezesseis meses de cura moldam um sabor inconfundível.
Saudade compreensível.
Quando chove no palco, dezessete minutos suspendem o ar.
E ainda é segundo ato no olhar.
Antes da vinheta ideal, surgem dezoito ajustes de cálculo fino.
Um tinto genuíno.
Dezenove seguem no vagão sem música.
Mas o passeio não se frustra.
Críticas sociais vestidas de espetáculo e esplendor.
Vinte vezes encantador.
Intenções artísticas fariam jovens de vinte e um corar.
O ambiente começa a esquentar.
Depois de vinte e duas pinceladas, já eram Picasso.
Com leve tremor no traço.
Nem vinte e três nomes dão conta desse novo amor.
A casa ganha um novo humor.
E então se aprende um jeito doce de produzir sabores honestos.
Que não viram indigestos.
Quedas de vinte e cinco metros medem as alturas.
Entre correntezas de águas seguras.
Como explicar experimentar vinte e seis gostos?
Mas de um só ingrediente, todos expostos.
Vinte e sete suspeitas armam a cena dramática.
Missão cumprida pela dupla pragmática.
Depois de vinte e oito goles, o texto segue vago.
Sem medo do estrago.
Vinte e nove anos sem tocar tal formas manuais.
Pequenas esculturas saem naturais.
Depois de trinta espetáculos, resta a ideia certa.
A arte vive em quem interpreta.
Um esforço náutico, calmo e revelador.
Trinta e uma remadas de terapia interior.
Uma picância que pesa trinta e duas violências.
Doçuras, queimações, dormências.
Mais de trinta e três argumentos ao dizer que uma vida sem exame não se sustenta.
Antes da última bebida lenta.
Chefs venezuelanos em trinta e quatro minutos.
Sob direcionamentos justos.
Bomba de pistache marca trinta e cinco primaveras.
Sensações que há tempos esperas.
Trinta e seis imagens depois, ficou claro: não só o navio foi ao fundo.
Ganâncias se afogaram junto.
Deixa Eu Pensar | #47 - Trinta e Seis

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